1889, o livro (resenha)

1889: como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil

Esse é um livro fundamental para o entendimento sobre a história de nosso país. Por certo, quem tiver a oportunidade, leia a trilogia histórica do autor: 1808, 1822 e 1889 – este último em especial, em que o autor Laurentino Gomes, adquire uma maturidade em seu trabalho de análise que merece ser destacado como a “cereja do bolo” de sua obra.

Em 1889 o autor traça, de forma leve e profunda, um panorama bastante completo e acurado da sociedade brasileira. Mostra aspectos de nossa situação econômica, política e social, e também a importância de algumas pessoas, mas, especialmente, das instituições que lhes amparavam a ação.

Ainda que ao meu juízo muito inspirada na obra do grande historiador José Murilo de Carvalho, podemos apontar a visão sobre os três grupos republicanos que competiam para o caminho para a República e o conteúdo político que teria o futuro regime: os liberais-democratas, inspirados nos EUA; os jacobinos, que sonhavam com uma Revolução popular, e os positivistas, que propunham uma ditadura republicana.

A capacidade de Laurentino Gomes analisar os processos finais que levam o Império e o imperador ao ocaso também merece menção. Desde a ação da Princesa Isabel, com a sua Lei Áurea – “um derradeiro e fugaz momento de popularidade da Monarquia brasileira” -, até o Baile da Ilha Fiscal – “o último grande evento social da Monarquia brasileira” – entre outros, aparecem em suas páginas com a dimensão devida.

As notas e a extensa bibliografia demonstram o apurado trabalho de pesquisa histórica realizado pelo autor. No livro, personagens, processos, momentos específicos e instituições estão descritos e analisados na devida medida. Uma obra de alta qualidade que merece o êxito editorial que teve. Para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de lê-la, fica a dica e a oportunidade para descobrir uma História do Brasil, assim mesmo, com H maiúsculo. Não por acaso foi escolhida a melhor obra de não-ficção do Prêmio Jabuti de 2014.

Globo News Literatura com Laurentino Gomes – Veja aqui

Laurentino Gomes no Roda Viva – Veja aqui

Blog de Laurentino Gomes – Veja aqui

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